Ao receber a Medalha de Ouro Rodolpho Valle, uma das maiores honrarias concedidas pela Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta quinta-feira (18/6), o humorista William Oliveira transformou o momento da homenagem em um discurso sobre identidade, cultura amazonense e independência artística.
Natural de Maraã, no interior do Amazonas, William relembrou a trajetória que o levou dos municípios do interior aos palcos lotados e às redes sociais, onde reúne quase 3,5 milhões de seguidores. Em meio a momentos de humor e reflexão, o artista afirmou que a maior herança que carrega vem dos pais, ambos professores.
“Tudo que vocês veem hoje de mim, o fato de eu não me curvar a qualquer um, o fato de eu não me vender, tudo vem dos meus pais. Toda honestidade, todo trabalho e toda força de vontade vêm deles”, declarou.
O humorista também fez questão de dividir o reconhecimento com os pioneiros do stand-up comedy no Amazonas. Segundo ele, a comédia amazonense completa dez anos em 2026 graças ao trabalho iniciado por Téo Júnior, Roge Siqueira e Marcos Paiva, que abriram espaço para o crescimento do segmento no estado.
Ao longo do discurso, William reforçou uma das bandeiras que costuma defender em seus espetáculos e nas redes sociais: a valorização da cultura local e das origens amazonenses.
“Eu não preciso abandonar as minhas raízes para chegar onde eu quero. Muito pelo contrário, são as minhas raízes que vão me levar ao inimaginável”, afirmou.
Conhecido por abordar situações do cotidiano e também temas ligados à política em seus vídeos, o humorista reconheceu que seu trabalho nem sempre agrada a todos. Sem citar nomes, afirmou que a comédia tem o papel de provocar reflexão e dar voz a temas que fazem parte da realidade da população.
“Eu utilizo a minha arte para expressar, muitas vezes, o que a maioria pensa ou gostaria que alguém falasse”, disse.
William também fez um apelo por mais atenção à cultura e aos artistas locais. Para ele, o público amazonense valoriza a produção regional, desde que os próprios artistas mantenham uma conexão verdadeira com as pessoas.
“Como é que o povo vai te valorizar se tu não fala com a galera, não conversa com ninguém? O povo valoriza, sim, desde que você valorize eles também”, afirmou.
A homenagem foi proposta pelo vereador Coronel Rosses (PL) e aprovada pela Câmara Municipal de Manaus. Mais do que agradecer a honraria, William utilizou o espaço para reafirmar a mensagem que tem levado aos palcos: a de que é possível alcançar reconhecimento nacional sem abrir mão das próprias origens.
“Quem nasce no Amazonas é abençoado. E ninguém pode dizer que nós não somos capazes de chegar onde queremos por sermos de onde somos”, concluiu.
