A Argentina venceu, os três pontos vieram e a caminhada rumo ao mata-mata da Copa do Mundo segue firme. Mas, em uma noite que deveria pertencer ao coletivo, o futebol mais uma vez encontrou uma maneira de colocar Lionel Messi no centro da história.
Contra a Argélia, a seleção argentina fez o que se esperava de uma campeã do mundo: controlou o jogo, dominou as ações e construiu uma vitória segura por 3 a 0. No entanto, o placar conta apenas parte da história. A outra parte tem o nome do camisa 10.
Quando Messi toca na bola, o tempo parece desacelerar. Aos 39 anos, ele já não precisa correr mais do que os outros. Basta enxergar antes. Foi assim que abriu espaços, organizou o ataque e transformou momentos comuns em jogadas decisivas. E foi assim também que balançou as redes duas vezes, lembrando ao planeta que a genialidade não tem prazo de validade.
O primeiro gol surgiu com a naturalidade de quem faz o impossível parecer simples. O segundo teve o peso simbólico de um artista assinando sua obra. Enquanto os argentinos comemoravam a vitória, o estádio parecia celebrar algo maior: a oportunidade de assistir, talvez pela última vez em uma Copa do Mundo, a um dos maiores jogadores da história atuando em seu palco favorito.
A cada edição do torneio, surge uma nova geração tentando assumir o protagonismo do futebol mundial. E a cada vez que Messi entra em campo, ele lembra que o trono ainda não está vazio.
Os números impressionam, mas não explicam tudo. Os gols ajudam a vencer partidas. A presença de Messi muda atmosferas. Adversários se preocupam, companheiros ganham confiança e torcedores levantam os celulares sabendo que qualquer lance pode se transformar em um momento histórico.
A vitória sobre a Argélia valeu três pontos para a Argentina. Para Messi, valeu mais uma página em uma carreira que parece não conhecer ponto final.
Enquanto o árbitro encerrava a partida, milhares de argentinos deixavam as arquibancadas com a sensação de dever cumprido. A classificação continua sendo o objetivo. Mas, no fundo, todos sabem que existe outro motivo para acompanhar esta Copa: testemunhar cada capítulo restante da despedida de Lionel Messi dos Mundiais.
E, se depender da atuação deste jogo, a lenda ainda está longe de escrever sua última linha.
Colunista
Caique Elias
Videomaker do Diário da Capital
