O Ministério da Saúde orientou estados e municípios a manterem armazenadas as doses da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan até nova deliberação das autoridades sanitárias. A medida ocorre após a suspensão temporária da aplicação do imunizante em todo o país, anunciada como ação preventiva enquanto são investigados eventos adversos considerados raros.
A decisão foi tomada após o registro de 42 casos com sintomas compatíveis com dengue grave, incluindo dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três pacientes precisaram ser hospitalizados e duas mortes estão sendo investigadas para verificar uma possível relação com a vacina. Até o momento, não há confirmação de causalidade entre os casos e o imunizante.
Segundo o Ministério da Saúde, mais de 500 mil pessoas receberam a vacina em projetos-piloto realizados em municípios de São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Tocantins. A suspensão foi recomendada por órgãos de farmacovigilância após a identificação de ocorrências que não haviam sido observadas durante os estudos clínicos.
As doses já distribuídas deverão permanecer armazenadas nas redes de frio estaduais e municipais até a conclusão das investigações. Um comitê de especialistas foi mobilizado para analisar os casos e definir os próximos passos da estratégia de imunização.
O Ministério reforçou que a suspensão não significa perda de eficácia da vacina e destacou que a vigilância contínua faz parte dos protocolos de segurança do Programa Nacional de Imunizações. A vacina Qdenga, aplicada em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, segue sendo utilizada normalmente em todo o país.
