O Amazonas registrou 2.151 casos de estelionato entre janeiro e abril deste ano, segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). O número representa uma média de 17 ocorrências por dia e evidencia o avanço das fraudes praticadas por meio da internet, telefone e aplicativos de mensagens.
O estelionato é um crime caracterizado pela obtenção de vantagem financeira por meio de fraude, engano ou falsas promessas, causando prejuízo às vítimas. Entre os golpes mais recorrentes estão o do Pix, o do falso parente e o da falsa central bancária.
No golpe do Pix, criminosos utilizam falsas promoções, pedidos de ajuda ou comprovantes adulterados para convencer a vítima a realizar transferências bancárias. Já no golpe do falso parente, os estelionatários entram em contato por aplicativos de mensagens utilizando números desconhecidos e se passam por familiares para pedir dinheiro em situações supostamente urgentes.
Outra fraude bastante comum é a da falsa central bancária. Nesse caso, os golpistas ligam para a vítima fingindo ser funcionários de instituições financeiras e alegam movimentações suspeitas na conta para obter senhas, códigos de segurança ou autorização para transferências.
Também figuram entre os golpes mais registrados os falsos empréstimos, falsas oportunidades de investimento, vendas online fraudulentas, boletos adulterados, clonagem de WhatsApp, falsas ofertas de emprego e leilões inexistentes.
As estratégias utilizadas pelos criminosos são variadas. Além das fraudes virtuais, há casos de relacionamentos amorosos falsos para obtenção de dinheiro, retenção de cartões em caixas eletrônicos e até abordagens presenciais em que os suspeitos se passam por funcionários de empresas ou prestadores de serviço para obter informações pessoais.
Um caso recente investigado pela Polícia Civil do Amazonas chamou a atenção pela forma de atuação. O influenciador digital Mel Gibson Batista Amazonas, conhecido como Gui Sena, de 29 anos, foi preso em Manaus suspeito de criar perfis falsos de celebridades e autoridades para solicitar dinheiro nas redes sociais.
Segundo as investigações, ele se passava por figuras públicas, entre elas a ex-BBB e cunhã-poranga Isabelle Nogueira, para pedir transferências via Pix a seguidores e pessoas próximas das vítimas. De acordo com o delegado Fabiano Rosas, o suspeito confessou os crimes e teria arrecadado mais de R$ 40 mil entre 2025 e 2026.
A polícia informou ainda que Gui Sena utilizava chaves Pix de familiares e pessoas próximas para receber os valores e dificultar sua identificação. Durante a prisão, realizada no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus, foram apreendidos diversos chips de telefone supostamente usados na prática dos golpes.
Entre as vítimas identificadas estão a própria Isabelle Nogueira, familiares dela, empresários e proprietários de portais de notícias. O influenciador deve responder pelos crimes de estelionato e falsidade ideológica.
Para evitar cair em golpes, especialistas orientam a desconfiar de pedidos de dinheiro enviados por aplicativos de mensagens, confirmar informações diretamente com familiares ou empresas e evitar acessar links recebidos de desconhecidos. Também é importante verificar a autenticidade de boletos, desconfiar de promessas de lucro fácil e nunca fornecer senhas, códigos de segurança ou dados bancários por telefone.
Caso a pessoa seja vítima de uma fraude, a recomendação é registrar imediatamente um boletim de ocorrência, comunicar o banco ou instituição financeira envolvida e guardar todas as provas, como mensagens, comprovantes de pagamento, números de telefone e e-mails. Essas informações podem auxiliar nas investigações e aumentar as chances de identificação dos responsáveis.
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