Manaus aparece entre os piores desempenhos do país quando o assunto é acesso à educação infantil. Dados recentes indicam que apenas 12,8% das crianças de até 3 anos estão matriculadas em creches na capital amazonense, o segundo pior índice entre as capitais brasileiras, à frente apenas de Macapá. O cenário evidencia um déficit histórico na oferta de vagas e impõe dificuldades diretas às famílias, especialmente às mães que dependem do serviço para trabalhar.
Os dados são do novo indicador de atendimento escolar em nível municipal, elaborado pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) a partir de uma parceria com as fundações Bracell, Itaú, VélezReyes+, Van Leer e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A divulgação foi feita nesta quarta-feira (29/4).
O levantamento reforça um problema estrutural que se repete em diversas cidades, mas que em Manaus se agrava diante da demanda crescente e da baixa expansão da rede pública. Enquanto o discurso oficial aponta investimentos e avanços na área, os números revelam uma realidade distante: milhares de crianças seguem fora da creche, e responsáveis enfrentam longas filas de espera por uma vaga.
Especialistas apontam que a baixa cobertura impacta não apenas o desenvolvimento infantil, mas também a economia local. A ausência de políticas eficazes de ampliação de vagas limita a inserção de mulheres no mercado de trabalho e amplia desigualdades sociais. Em nível nacional, o acesso à creche ainda é um dos principais gargalos da educação básica.
Apesar de metas estabelecidas em planos educacionais, a capital amazonense não demonstra evolução proporcional à necessidade da população. A contradição entre promessas de expansão e os indicadores atuais levanta questionamentos sobre a efetividade da gestão municipal na área.
Diante do cenário, especialistas defendem a ampliação urgente da rede de creches, com planejamento e investimento contínuo, como medida essencial para garantir direitos básicos às crianças e dar suporte às famílias.
