A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe) 2024 traz dados preocupantes sobre o bem-estar psicológico da juventude brasileira. De acordo com o levantamento, 30% dos jovens entre 13 e 17 anos relatam sentir-se tristes com frequência — sempre ou na maioria das vezes. A mesma proporção admitiu já ter tido o desejo de se autolesionar.
As informações foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde (MS) e o com apoio do Ministério da Educação (MEC), que entrevistou 118.099 estudantes de 13 a 17 anos, das redes públicas (84,3%) e privada (15,7%) do 7° ao 9° ano do Ensino Fundamental e do 1° ao 3° ano do Ensino Médio.
Os números evidenciam uma crise emocional em expansão: quase 43% dos entrevistados afirmam ficar “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer motivo”, enquanto 18,5% convivem com pensamentos de desesperança, acreditando que “a vida não vale a pena ser vivida” com regularidade.
Falta de acolhimento institucional
Apesar da magnitude dos problemas relatados, o suporte psicológico nas escolas ainda é excepcional, não regra. Menos da metade dos estudantes (aproximadamente 48%) frequentavam unidades escolares que ofereciam algum tipo de assistência em saúde mental. A disparidade entre redes é nítida: na educação privada, 58,2% tinham acesso a esse serviço; na pública, apenas 45,8%.
A presença de especialistas em saúde mental no corpo docente é ainda mais rara: apenas 34,1% dos alunos estudavam em escolas com psicólogos ou profissionais equivalentes em seu quadro permanente.
Vulnerabilidade familiar
A pesquisa aprofundou ainda as dinâmicas familiares e comunitárias dos adolescentes. Mais de um quarto (26,1%) expressou sentimento crônico de abandono emocional, afirmando que “ninguém se preocupa” com eles. Aproximadamente 35% consideravam que pais ou responsáveis não compreendiam suas dificuldades, e 20% relataram ter sofrido agressões físicas por parte de familiares nos 12 meses anteriores à coleta de dados.
Comportamentos autolesivos
O IBGE estima que cerca de 100 mil estudantes brasileiros sofreram lesões autoprovocadas no ano que antecedeu a pesquisa — o que representa 4,7% de todos os jovens que tiveram algum tipo de acidente ou ferimento no período.
A disparidade de gênero é particularmente visível nas lesões intencionais: entre as estudantes que sofreram algum ferimento, 6,8% admitiram causá-lo a si mesmas de propósito — índice mais que o dobro do registrado entre os meninos (3%).
Busque ajuda!
De acordo com o Ministério da Saúde, é muito importante conversar com alguém de confiança e não hesitar em pedir ajuda.
-Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
-UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais;
-Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).
