O Departamento de Estado dos Estados Unidos passou a considerar as organizações criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “ameaças significativas à segurança regional”. A avaliação leva em conta a atuação das facções em atividades ligadas ao tráfico de drogas, à violência e a redes de crime transnacional.
A posição foi confirmada ao portal Metrópoles por um porta-voz da diplomacia norte-americana. Segundo o representante do órgão, “os Estados Unidos veem as organizações criminosas do Brasil, incluindo PCC e CV, como ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento em tráfico de drogas, violência e crime transnacional”.
Ainda de acordo com o Departamento de Estado, a eventual classificação dessas organizações como terroristas segue em análise pelo governo norte-americano. “Não comentamos previamente possíveis designações de organizações como terroristas. Estamos plenamente comprometidos em tomar as medidas apropriadas contra grupos estrangeiros que se envolvem em atividades terroristas”, acrescentou o porta-voz.
A declaração reforça a preocupação das autoridades dos Estados Unidos com a expansão das atividades dessas facções além do território brasileiro. No último fim de semana, diversos países da América Latina aderiram à iniciativa Escudo das Américas, voltada ao enfrentamento de cartéis e organizações criminosas em todo o continente.
A resposta obtida pelo Metrópoles não confirma nem descarta a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de Foreign Terrorist Organizations (FTO), utilizada pelo governo norte-americano para designar grupos considerados terroristas.
Apesar disso, desde o ano passado a administração do presidente Donald Trump analisa a possibilidade de classificar as duas facções brasileiras como organizações terroristas, medida que teria como objetivo ampliar as ações de combate ao narcotráfico. Segundo informações obtidas pelo portal, o debate avançou internamente nos últimos dias.
Debate sobre soberania
O governo brasileiro tem rejeitado de forma recorrente a possibilidade de enquadrar facções criminosas como organizações terroristas. Um dos argumentos apresentados é que grupos como PCC e CV não se enquadram na legislação brasileira sobre terrorismo, que caracteriza esse tipo de crime como ações motivadas por razões religiosas, ideológicas, políticas ou por preconceito ou xenofobia.
De acordo com apuração do Metrópoles, a possibilidade de classificação das facções como terroristas também desperta preocupação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação à soberania nacional.
Entre os receios está a possibilidade de abertura de precedentes para intervenções externas. Como exemplo, autoridades brasileiras observam ações realizadas pelos Estados Unidos na Venezuela, onde desde julho de 2025 embarcações têm sido bombardeadas sob o argumento de combate ao narcotráfico.
Encontro entre Lula e Trump
O tema surge às vésperas de uma possível reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O governo brasileiro acompanha a situação com atenção.
O encontro entre os dois líderes estava inicialmente previsto para março, mas ainda não teve data confirmada. O desencontro de agendas e o início da guerra contra o Irã acabaram interferindo na definição da reunião.
