A filiação do vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, ao Progressistas (PP) marca mais do que uma simples troca partidária. O ato sinaliza uma reconfiguração política com impacto direto na disputa pelo Governo do Estado e expõe tensões silenciosas entre antigos aliados. Até então ligado ao Avante, partido comandado pelo prefeito de Manaus, David Almeida, seu padrinho político, Tadeu agora se aproxima da base do governador Wilson Lima (União Brasil), que articula candidatura ao Senado em 2026.
Nos bastidores, a movimentação é vista como estratégica. A aproximação com o PP, que integra a federação União Progressista ao lado do União Brasil, fortalece a posição de Tadeu dentro do grupo governista e o coloca em rota potencial para assumir o comando do Estado caso Wilson Lima deixe o cargo para disputar o Senado, em abril. Esse cenário é considerado plausível, já que a legislação impede Wilson de um terceiro mandato consecutivo, abrindo espaço para o vice herdar o governo e eventualmente buscar a reeleição.
O gesto também representa um distanciamento político do prefeito David Almeida, responsável por indicar Tadeu como vice na eleição de 2022. A troca de sigla, nesse contexto, é interpretada por analistas como uma ‘pernada’ política, já que o vice escolheu fortalecer seu futuro eleitoral, mesmo que o resultado seja enfraquecer o grupo que o projetou.
A migração de Tadeu evidencia que a política amazonense segue marcada por movimentos táticos, onde fidelidade partidária e alianças pessoais frequentemente cedem espaço a cálculos eleitorais.
A movimentação do vice-governador ocorre num momento de intensificação das articulações pela sucessão estadual. Tadeu já vinha ampliando contatos e costurando apoios para chegar competitivo à disputa pelo governo, com aproximação crescente ao Progressistas e a lideranças ligadas ao governador.
