Política

BR-319 volta ao centro do debate político em ano eleitoral e reacende cobranças por resultados concretos

Proposta de CPI sobre suposto cartel do asfalto, documentário recente e promessas antigas reforçam a percepção de que a rodovia reaparece no discurso político em períodos eleitorais

Escrito por Rosianne Couto
10 de fevereiro de 2026
BR-319 volta ao debate político em meio a denúncias, promessas e ano eleitoral. Foto: Arquivo/Dnit

A BR-319, ligação rodoviária entre Manaus e Porto Velho historicamente marcada por promessas, impasses ambientais e atrasos nas obras, voltou ao centro do debate político em meio ao calendário pré-eleitoral. O movimento reacende críticas recorrentes sobre o uso do tema como bandeira eleitoral, sem que avanços estruturais efetivos acompanhem a intensidade dos discursos.

O deputado federal Amom Mandel (Cidadania) passou a defender a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar um suposto cartel do asfalto e afirmou que a falta de pavimentação da rodovia não seria casual, mas resultado de interesses econômicos.

“A BR-319 sem asfalto não é coincidência, ela é um projeto de corrupção”, declarou o parlamentar, ao citar contratos bilionários firmados por empresas investigadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e mencionadas em reportagem de alcance nacional.

A denúncia ganhou visibilidade após reportagem do UOL apontar que empresas sob investigação firmaram centenas de contratos com o governo federal, incluindo companhias com participação relevante em recursos destinados à BR-319, enquanto a obra definitiva segue sem avanço substancial. Amom afirma que a CPI serviria para “separar o joio do trigo” e identificar parlamentares favoráveis ou contrários à investigação.

Apesar do discurso mais incisivo neste momento, a movimentação política em torno da rodovia ocorre após o próprio deputado ter produzido recentemente um documentário sobre a BR-319, sem que antes houvesse protagonismo equivalente na cobrança institucional sobre o tema. Nos bastidores políticos, a coincidência com o calendário eleitoral alimenta questionamentos sobre a efetividade das iniciativas e o timing das cobranças.

Paralelamente, outras lideranças políticas mantêm projeções otimistas. O senador Eduardo Braga (MDB) afirmou, em entrevistas a veículos locais, que a expectativa é concluir a rodovia até 2030, com possível avanço ainda neste ano, caso sejam liberadas licenças ambientais e licitações para o chamado trecho do meio. Segundo ele, a vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Amazonas pode destravar etapas administrativas, incluindo pontes, pavimentação parcial e novas frentes de obras.


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