Amazônia

Conheça a araponga-da-Amazônia, ave que emite o canto mais alto já registrado na natureza

Som pode chegar a 125 decibéis e é utilizado como estratégia de conquista entre as aves

Escrito por Rebeca Beatriz
8 de fevereiro de 2026
A Araponga-da-Amazônia é mais uma prova da diversidade e das surpresas da fauna brasileira. Foto: Anselmo d’Affonseca

Com penugem branca rara e reconhecida por emitir o canto mais alto já registrado entre as aves, a araponga-da-Amazônia impressiona não apenas pela aparência, mas principalmente pelo som ensurdecedor que produz. O volume pode ultrapassar 125 decibéis, superando o barulho de uma turbina de avião, e já garantiu à espécie um lugar no Guinness Book.

Do tamanho aproximado de um pombo doméstico, com cerca de 30 centímetros de comprimento, a araponga se destaca também por características singulares: abdômen definido e um barbilhão de aproximadamente dez centímetros pendurado no bico. A combinação entre aparência exótica e potência sonora faz da ave um dos maiores espetáculos da fauna amazônica.

Segundo o ornitólogo Mario Cohn-Haft, o canto da araponga é curto, composto por apenas duas notas, mas extremamente intenso. “A fama da araponga-da-Amazônia é ter o som mais alto de qualquer outro pássaro do mundo e talvez de qualquer outro animal já medido. É mais alto do que uma britadeira, uma empilhadeira, na altura do som de uma turbina de avião. Só que ele não produz esse som o tempo todo”, explica.

De acordo com o especialista, o comportamento vocal da ave envolve movimentos específicos. “Ele faz duas notas em sequência. Vira a cabeça, chacoalha, dá uma lapada com o barbilhão e solta esse som. Se ele conseguisse produzir esse som por muito tempo, seria insuportável. Pelo tamanho, ele também não conseguiria”, afirma.

Mario Cohn-Haft foi um dos responsáveis pela descoberta e pelo registro científico do fenômeno. Ele explica ainda que o canto não é emitido de forma aleatória. Acredita-se que o macho utilize o som como estratégia de paquera para impressionar a fêmea durante o período reprodutivo.

“Ele canta e chacoalha o barbilhão. Entre o alto volume do som e o movimento do barbilhão, a fêmea se impressiona e é convencida a cruzar com ele. O que faria um pássaro fazer um barulho muito mais alto que os outros à sua volta? A gente acredita que é justamente a preferência das fêmeas que faz ele tentar gritar cada vez mais”, conclui.

Para efeito de comparação, o canto da araponga-da-Amazônia supera não apenas o ruído de uma turbina de avião a jato, mas também o volume de um show de rock, de um grito de gol em estádio lotado, além de ser mais intenso que o som de uma britadeira ou de uma serra elétrica.

Rara, distante dos centros urbanos e dona de um canto único no mundo, a araponga-da-Amazônia é mais uma prova da riqueza e da diversidade da fauna brasileira — um espetáculo natural que ecoa forte e alto no coração da Amazônia.

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