O Governo do Amazonas anunciou a ampliação dos municípios prioritários atendidos pela Operação Tamoiotatá no combate ao desmatamento e às queimadas ilegais. A partir de 2026, a força-tarefa passará a atuar em 12 cidades, incluindo Manaus, conforme definição consolidada no último dia do Workshop de Avaliação da operação, realizado nesta quinta-feira (05/02).
Além de Lábrea, Boca do Acre, Apuí, Manicoré, Novo Aripuanã, Humaitá, Canutama, Tapauá e Maués, a área de atuação será estendida para Itapiranga, Autazes e a capital amazonense. A ampliação está alinhada à atualização do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Amazonas (PPCDQ-AM), que orientará as ações ambientais no período de 2026 a 2028.
O plano é coordenado pela Casa Civil e elaborado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Segundo o secretário da pasta, Eduardo Taveira, a inclusão dos novos municípios reflete a incorporação de novos critérios de análise ambiental. “Até então, os critérios de priorização consideravam principalmente os índices de desmatamento e queimadas. Com a atualização do PPCDQ-AM, passamos a incorporar também os dados de degradação florestal, o que exige uma atuação preventiva e integrada nos municípios que vêm apresentando esse tipo de pressão ambiental”, afirmou.
Reforço operacional
Durante o workshop, também foram apresentados avanços na estrutura operacional da Tamoiotatá. No final de 2025, por meio do programa Floresta em Pé, foi firmado contrato para locação de viaturas, permitindo a atuação simultânea de 13 picapes nas duas últimas fases da operação. A ampliação da frota possibilitou a expansão das frentes de trabalho e o fortalecimento da presença do Estado nas áreas consideradas prioritárias.
Com o reforço logístico, o efetivo em campo foi duplicado, passando de cerca de 25 para 48 profissionais. De acordo com o chefe do Departamento de Planejamento Integrado da Secretaria Executiva Adjunta de Planejamento e Gestão Integrada de Segurança (Seagi), Talisson Botelho, a nova configuração permitirá maior alcance das equipes. “A gente vai conseguir esse ano ter as duas equipes no terreno, ocupando duas bases ao mesmo tempo, ou seja, partindo de dois municípios-sede para atender onde a viatura alcançar. E, além disso, teremos duas guarnições da Polícia Militar em cada uma das equipes, de forma a fortalecer a segurança no terreno”, explicou.
Tecnologia e integração
Outro ponto destacado foi o fortalecimento da comunicação em áreas remotas. A Sema adquiriu quatro unidades de internet via satélite Starlink, sendo uma instalada na base fixa da operação e as demais embarcadas nas viaturas. Também foram contratados pacotes de dados para os dispositivos de comunicação SPOT X e SPOT Gen4, já utilizados pelas equipes, mas sem cobertura ativa até então.
A partir de 2026, a força-tarefa contará ainda com a integração do Departamento de Perícia Técnica Ambiental da Polícia Civil do Amazonas, que atuará tanto em campo quanto por meio de análises técnicas remotas. No enfrentamento às queimadas, duas bases do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas foram implantadas nos municípios de Apuí e Boca do Acre, com entrega de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e contratação de brigadistas florestais.
Operação Tamoiotatá
Realizada anualmente desde 2021, a Operação Tamoiotatá é a principal força-tarefa contínua do Estado no combate ao desmatamento, às queimadas e à degradação florestal. A ação reúne órgãos ambientais e de segurança pública, incluindo a Sema, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, a Seagi e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, além da Polícia Militar, Polícia Civil e Defesa Civil.
A operação conta com recursos do Programa Floresta em Pé, fruto de cooperação financeira entre os governos do Brasil e da Alemanha, por meio do KfW Banco de Desenvolvimento, com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) como agência implementadora. Segundo o governo estadual, mais de R$ 33 milhões estão sendo investidos em ações de comando e controle ambiental no Amazonas.
