“Cara, o que essa guria fez para o Amazonas nesses 4 anos, não fez nada!”, afirmou um internauta nas redes sociais da deputada estadual Débora Menezes (PL-AM) ao comentar a participação da parlamentar na caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que segue a pé de Minas Gerais até Brasília. A crítica reflete parte da reação negativa de usuários às publicações da deputada sobre sua presença na mobilização.
Outros comentários seguiram a mesma linha, questionando a atuação parlamentar e cobrando maior atenção aos problemas locais do Amazonas. “Esse povo nunca trabalhou e nem sabe o que é trabalhar”, escreveu outro usuário. “Mana tu não caminha nos bairros de Manaus para ver os buracos, isso tu não quer né, tu não cuida da tua cidade”, comentou mais um internauta.


As manifestações reacenderam o debate sobre as prioridades da deputada eleita em 2022, especialmente em relação a temas como infraestrutura urbana, transporte público e custo de vida no estado, em contraste com sua participação em mobilizações de caráter nacional e ideológico.
Em resposta às críticas, Débora Menezes afirmou, por meio das redes sociais, que sua participação na caminhada ocorre por convicção pessoal. “Saímos do Amazonas para somar na caminhada pela Liberdade. Com recurso próprio e por convicção”, declarou a parlamentar. Segundo ela, a viagem não se trata de um deslocamento “comum”, mas de um chamado político, e sua presença representa o Estado do Amazonas na mobilização.
Além da manifestação da deputada, o Coronel Menezes, pai de Débora Menezes e antigo aliado de primeira hora do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso por acusação de tramar um golpe de estado, também se posicionou publicamente sobre as críticas. Em entrevista ao programa Rota Diária AM, apresentado pelo jornalista Patrick Motta, na manhã desta quinta-feira (22/01), ele afirmou ser alvo de “inveja política” e desafiou críticos a apontarem qualquer declaração sua contrária ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Essas críticas vêm de pessoas que têm alguma inveja política. Eu sempre estive ao lado de Bolsonaro e continuo ao lado dele. Desafio qualquer crítico a me dizer onde eu falei mal dele”, afirmou o coronel Menezes durante a entrevista.
Durante a campanha eleitoral para a Prefeitura de Manaus, em 2024, Menezes foi candidato a vice-prefeito na chapa de Roberto Cidade (UB). Ele acabou expulso do PL, partido que optou por lançar o deputado Capitão Alberto Neto como candidato à prefeitura. Na ocasião, Menezes fez críticas indiretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante o lançamento da campanha. Diante de uma Arena Amadeu Teixeira lotada, afirmou: “Vou fazer um vídeo que eu quero mandar para o presidente, para que o Bolsonaro da próxima vez que vier a Manaus, ele fale com o nosso grupo se ele quiser encher a Arena da Amazônia (SIC).”
Além de Débora Menezes, o deputado federal e pré-candidato ao Senado pelo Amazonas, Capitão Alberto Neto (PL-AM), também confirmou participação e apoio à caminhada liderada por Nikolas Ferreira. Por meio das redes sociais, Alberto Neto afirmou que irá se juntar ao ato e declarou que estará nas ruas contra o que classifica como decisões autoritárias, perseguição à direita e ataques a cidadãos conservadores.
Outros políticos do Partido Liberal também aderiram à mobilização. Entre eles estão Carlos Bolsonaro, ex-vereador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, além dos deputados federais Gustavo Gayer, Carlos Jordy, Sargento Gonçalves, Lucas Polese e André Fernandes. Também participam o pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, Zucco, e o senador Magno Malta.
Sobre a caminhada
A iniciativa é liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, que afirma que o ato é uma reação ao que considera prisões injustas relacionadas aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 e à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A caminhada teve início na segunda-feira (19/01), no município de Paracatu, no interior de Minas Gerais, próximo à divisa com Goiás.
O percurso previsto é de aproximadamente 240 quilômetros, com conclusão estimada em sete dias.
Três anos após os atos de 8 de janeiro de 2023, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou mais de 800 pessoas acusadas de participação nas invasões às sedes dos Três Poderes, que buscavam abalar a ordem democrática e o funcionamento das instituições. Os dados foram apurados pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos, até meados de dezembro de 2025, podendo sofrer atualizações.
Após os episódios, a Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou 1.734 ações penais no STF. As acusações foram divididas entre incitadores, executores e quatro núcleos principais, apontados como responsáveis por sustentar a tentativa de permanência do ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral, em violação à ordem democrática.
Bolsonaristas acusam o ministro Alexandre de Moraes de punir de forma excessiva os envolvidos nos atos de vandalismo no dia 8 de janeiro, como foi o caso da cabeleireira Débora Rodrigues, condenada a 14 anos de prisão por escrever de batom na estátua da justiça a frase: “perdeu, mané”.
