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Volta às aulas exige ajuste de sono e redução do tempo de telas

Especialistas apontam que mudanças graduais na rotina ajudam estudantes a retomar o ritmo escolar e evitar prejuízos ao aprendizado

Escrito por Redação
18 de janeiro de 2026
Foto: Freepik

Com a aproximação do início do ano letivo de 2026, marcado para 26 de janeiro, o período de férias em Manaus começa a dar lugar aos preparativos para a volta às aulas. Mais do que a compra de material escolar, o principal desafio das famílias neste momento é reorganizar a rotina doméstica, ajustando horários de sono e reduzindo o tempo de exposição às telas para facilitar a readaptação dos estudantes.

Após semanas de horários flexíveis, é comum que crianças e adolescentes passem mais tempo em dispositivos eletrônicos e durmam mais tarde. Essa mudança pode provocar o chamado “jet lag social”, caracterizado pelo desalinhamento do relógio biológico, o que tende a impactar negativamente a atenção e o desempenho acadêmico logo no início do ano escolar.

Um dos fatores que mais contribuem para esse desequilíbrio é a exposição excessiva à luz azul emitida por celulares e tablets. Esse tipo de luz interfere na produção de melatonina, hormônio responsável pela indução do sono, mantendo o cérebro em estado de alerta. Educadores do Pinocchio Centro Educacional e do Colégio Martha Falcão explicam que o chamado “detox digital” não implica eliminar completamente o uso da tecnologia, mas adotar uma redução progressiva para recuperar o foco e a capacidade de concentração.

A diretora das Instituições Nelly Falcão de Souza (INFS), Nelly Falcão, destaca que esse processo deve ser construído em conjunto por pais e filhos. “A escola e a família precisam caminhar juntas nessa preparação. O retorno ao ambiente escolar exige uma disposição física e mental que começa com uma noite de sono bem dormida. Sugerimos que os pais iniciem agora um recuo gradual nos horários, trazendo o sono 15 a 20 minutos mais cedo a cada noite, para que no dia 26 o despertar seja natural e sem estresse”, orienta.

No Pinocchio Centro Educacional, que atende a educação infantil, a previsibilidade da rotina ganha atenção especial. Crianças menores tendem a sentir mais intensamente as mudanças de hábito. A criação de rituais antes de dormir, como substituir o celular por livros ou brincadeiras fora das telas, ajuda o organismo a compreender a mudança de ritmo e reduz a irritabilidade associada à privação de sono.

Entre os alunos mais velhos do Colégio Martha Falcão, o desafio do “detox digital” envolve também a saúde mental. O uso excessivo de redes sociais durante as férias pode aumentar quadros de ansiedade. A transição para o ambiente escolar, que em 2026 reforça conceitos ligados à Educação 5.0 e ao uso ético da tecnologia, exige que o estudante saiba diferenciar momentos de lazer e de produção intelectual, desenvolvendo autonomia no uso das telas.

A alimentação também faz parte desse processo de adaptação. A retomada de horários regulares para as refeições contribui para a organização do metabolismo e para a melhoria da qualidade do sono. Especialistas apontam que reduzir o uso de eletrônicos à noite pode ser uma oportunidade para retomar refeições à mesa, fortalecendo os vínculos familiares e diminuindo a ansiedade em relação à volta às aulas.

Outro aspecto importante é a organização do espaço de estudo. Limpar a escrivaninha, separar o material escolar e conferir o uniforme ajudam a criar uma expectativa positiva para o retorno. Envolver o aluno nesses preparativos reduz a resistência ao fim das férias e estimula o senso de responsabilidade, princípio presente na metodologia das INFS.

Nelly Falcão ressalta que, embora a escola ofereça acolhimento e estrutura, o cuidado com o descanso é uma responsabilidade compartilhada. “Não adianta termos a melhor tecnologia e laboratórios como o Martha Maker se o aluno estiver exausto. O descanso é a base da cognição. Quando a família prioriza esse ajuste de rotina em janeiro, ela está investindo diretamente na saúde emocional da criança e no seu sucesso acadêmico ao longo de todo o ano”, afirma.

A prática de atividades físicas ao ar livre também é apontada como aliada nesse período. Caminhadas, brincadeiras e esportes ajudam a gastar energia durante o dia, facilitam o sono à noite e combatem o sedentarismo acumulado nas férias, preparando o corpo para a rotina escolar.

Especialistas lembram que o processo de adaptação não se encerra no primeiro dia de aula. As primeiras semanas de fevereiro ainda exigem acompanhamento e ajustes. No entanto, iniciar desde já a regularização do sono e a redução do uso de telas coloca o estudante em vantagem, permitindo melhor aproveitamento dos projetos pedagógicos previstos para 2026, como iniciação científica, bilinguismo e robótica.

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