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Petro pede que população “tome o poder” se sofrer violência e reage a ameaças dos EUA

Declaração ocorre após Trump citar possível ação militar contra a Colômbia, em meio à crise regional após a captura de Maduro

Escrito por Redação
5 de janeiro de 2026
Foto: Reprodução

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, voltou a se manifestar nas redes sociais na madrugada desta segunda-feira (5) e pediu que a população “tome o poder” em cada município do país caso ele seja alvo de violência. A declaração ocorre em meio à escalada de tensão regional após ameaças de ação militar dos Estados Unidos.

Em publicação na rede social X, Petro afirmou confiar na mobilização popular como forma de proteção diante do que classificou como possíveis atos ilegítimos. “Tenho enorme fé no meu povo, e é por isso que lhes pedi que defendam o presidente contra qualquer ato ilegítimo de violência. A forma de me defenderem é tomar o poder em cada município do país. A ordem para as forças de segurança não é atirar contra o povo, mas sim contra os invasores”, escreveu.

O presidente também ressaltou que, por determinação constitucional, é o comandante supremo das Forças Armadas e da polícia colombiana. “E se prenderem o presidente, a quem grande parte do meu povo ama e respeita, libertarão a onça-pintada do povo”, acrescentou.

Na mesma sequência de mensagens, Petro rejeitou qualquer acusação de envolvimento com o narcotráfico ou de ilegitimidade política. “Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas. Meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários são públicos. Ninguém conseguiu provar que gastei mais do que ganho. Não sou ganancioso”, afirmou.

O chefe do Executivo colombiano também defendeu o histórico de seu governo no combate às drogas, citando o que classificou como avanços inéditos. Segundo Petro, sua administração realizou “a maior apreensão de cocaína da história mundial” e retomou o controle de El Plateado, local que descreveu como “a Wall Street da Cocaína” e que, segundo ele, havia prosperado sob governos anteriores.

Ainda de acordo com o presidente, foram autorizados bombardeios direcionados contra grupos armados ligados ao narcotráfico, com respeito ao direito humanitário. Petro alertou, porém, para os riscos de operações militares sem informações adequadas, ao criticar ações realizadas sem base de inteligência suficiente.

As declarações do líder colombiano ocorrem após falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que no domingo (4) ameaçou a Colômbia com uma possível ação militar. A manifestação ocorreu um dia depois da operação norte-americana na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da esposa dele.

Trump fez as declarações a bordo do avião presidencial, durante deslocamento para Washington. “A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos”, afirmou, em referência direta a Petro.

Sobre os comentários do presidente norte-americano, o líder colombiano disse que responderá assim que compreender “o verdadeiro significado” das declarações.

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