Cultura

Ateliê 23 encerra 2025 com apresentações de ‘Sebastião’ e ‘Ensaio de Despedida’ no Teatro Gebes Medeiros

Companhia amazonense leva ao Centro Histórico de Manaus espetáculos premiados que marcaram a trajetória do grupo ao longo do ano

Escrito por Redação
25 de dezembro de 2025
Fotos: Vitor Dias (Sebastião) e Allícia Castro (Ensaio de Despedida)

A companhia amazonense Ateliê 23 encerra a programação de 2025 com apresentações dos espetáculos Sebastião e Ensaio de Despedida no Teatro Gebes Medeiros, localizado na avenida Eduardo Ribeiro, nº 937, no Centro Histórico de Manaus. As montagens, ambas com classificação indicativa de 16 anos, ocupam o palco neste fim de semana.

No sábado (27/12), Sebastião será apresentado em duas sessões, às 17h e às 20h. Já no domingo (28/12), Ensaio de Despedida entra em cena às 18h e às 20h. Os ingressos podem ser adquiridos pelo perfil oficial da companhia no Instagram (@atelie23) e também na bilheteria do teatro, uma hora antes de cada espetáculo.

Ao longo de 2025, o Ateliê 23 celebrou importantes reconhecimentos com Sebastião. A montagem conquistou o prêmio de “Melhor Elenco” no Prêmio Cenym de Teatro Nacional 2025, concedido pela Academia de Artes no Teatro do Brasil (ATEB), que reconhece anualmente a excelência artística no teatro brasileiro. Além do prêmio, o espetáculo concorreu em outras quatro categorias: “Melhor Companhia de Teatro”, “Melhor Qualidade Artística de Produção”, “Melhor Figurino” e “Melhores Adereços e Objetos de Cena”.

No 19º Festival de Teatro da Amazônia, na Mostra Competitiva Jurupari Adulto, a companhia venceu nas categorias “Melhor Trilha Sonora” e “Melhor Ator”, com Taciano Soares. A peça também recebeu indicações a “Melhor Espetáculo”, “Melhor Direção”, “Melhor Dramaturgia”, “Melhor Figurino”, “Melhor Visagismo/Maquiagem” e “Melhor Ator”, neste caso para Eric Lima.

Para Taciano Soares, que divide a direção do grupo com Eric Lima, 2025 foi marcado pelo fortalecimento de parcerias e pela ampliação do alcance do trabalho da companhia.

“Parceria foi o nome desse ano para o Ateliê 23, foram novas parcerias, parcerias que movimentam, que nos conduzem a estratificações maiores do nosso trabalho, para que possamos cada vez mais alcançar o nosso objetivo, que é divulgar a arte feita no Amazonas. Esse é o nosso principal movimento, para que os artistas e o estado sejam reconhecidos nos melhores lugares em relação à produção cultural”, avalia.
Eric Lima destaca que o balanço do ano é positivo e projeta novos caminhos para o grupo. “Temos caminhado nesse sentido e a nossa avaliação é bastante positiva e com expectativas altas para o próximo ano, quando vamos dar novos passos para uma etapa especial do Ateliê 23, cada vez mais habitando outros territórios do Brasil”, afirma.

Inspirado no livro Um Bar Chamado Patrícia, do estilista Bosco Fonseca, Sebastião completou um ano em temporada e ganhou destaque em importantes eventos nacionais, como a Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília, o Festival de Curitiba 2025, a Mostra Todos os Gêneros, no Itaú Cultural, em São Paulo, além da Mostra de Teatro Águas de Manaus, do #SouManaus Passo a Paço 2025, e do Festival Joana Velha, no Mato Grosso.

“Foi um ano que as parcerias começaram a ser construídas em outros lugares, surgiram justamente de sementes plantadas, de como nosso trabalho está sendo percebido, reconhecido por curadores, artistas e produtores de várias partes do Brasil”, comenta Taciano Soares.
O diretor também relembra a experiência com o espetáculo Cabaré Chinelo, montado em versão dança em parceria com o Corpo de Dança do Amazonas (CDA) e com participação da Orquestra de Câmara do Amazonas.

“O CDA tem mais de 25 anos de experiência, um corpo estável com bailarinos profissionais, com a direção artística do Mário Nascimento, que é um grande artista, um grande visionário, e isso também validou que o Ateliê 23 já está num patamar de amadurecimento e caminhando para os 13 anos”, pontua.

Sebastião

A montagem reúne memórias da década de 1970 ligadas ao Bar Patrícia, que, somadas às vivências dos atores, dão origem a números musicais e depoimentos sobre diferentes formas de violência. O título faz referência a São Sebastião, cuja história é ressignificada na encenação como símbolo e patrono da comunidade LGBTQIAPN+.

A trilha sonora do espetáculo está disponível nas plataformas de streaming de áudio, com as músicas “Toda La Noche”, “Baby Gay”, “Sou Todo Amor” e “Glowria”. Atualmente, a banda é formada por Zanisk e Luana Aranha no baixo e nos beats, Mady na guitarra e Bruno Rodriguez no teclado. Guilherme Bonates integrou as primeiras temporadas e assinou a produção e a direção musical ao lado de Eric Lima e Taciano Soares, com arranjos desenvolvidos coletivamente pela banda.

A ficha técnica inclui ainda dramaturgia de Daphne Pompeu com Eric Lima e Taciano Soares; assistência de direção de Emily Danali e Andira Angeli; assistência de produção de Lacruz; iluminação de Lore Cavalcanti e Paulo Martins; e assessoria de imprensa de Manuella Barros.

O projeto é uma realização do Ateliê 23, com apoio do Itaú Cultural, por meio do Programa Rumos, do Governo do Amazonas, via Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e do Ministério da Cultura, por intermédio da Fundação Nacional de Artes (Funarte).

Ensaio de Despedida

Em Ensaio de Despedida, Taciano Soares e Eric Lima interpretam um casal que, diante da separação, revisita diferentes fases do relacionamento em um jogo cênico que alterna memórias, conflitos e afetos. Para a versão atual, o Ateliê 23 promoveu uma ação nas redes sociais, convidando o público a sugerir reviravoltas e tragédias cômicas incorporadas ao espetáculo, que soma sete anos de apresentações.

A cenografia reproduz uma sala em clima de mudança, com móveis e caixas que sugerem tanto chegadas quanto partidas. A sonoplastia é autoral e se baseia em uma música instrumental executada ao teclado.
A peça teve versões anteriores em 2017, com Thaís Vasconcelos; em 2019, com Jorge Florêncio; e em 2022, com Julia Kahane. Taciano Soares participou de todas as adaptações e, nesta montagem, divide a cena com Eric Lima.

Em 2023, o projeto também ganhou versão em curta-metragem, resultado de uma pesquisa sobre relações líquidas e relacionamentos abusivos. Com direção e roteiro de Eric Lima, o filme foi lançado no Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte 2023. No audiovisual, o casal protagonista é interpretado por Dimas Mendonça, Dinne Leão, Taciano Soares e Júlia Kahane, que se alternam em cena para explorar múltiplas narrativas e possibilidades de sexualidade.

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