Dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgados na quarta-feira (19/11), revelam crescimento na presença de facções criminosas na Amazônia e que grupos chegaram a 45% dos municípios que compõem a Amazônia Legal. Embora o número total de mortes violentas na região tenha caído em 2024, a presença do crime organizado continua se expandindo e impulsionando a violência em cidades do interior.
🚨 A análise destaca que o Comando Vermelho (CV) atua em grande parte da Amazônia, especialmente ao longo das rotas do tráfico pelo Rio Solimões.
No Amazonas, um dos nove estados que compõem a Amazônia Brasileira, foram registradas 27,4 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, taxa acima da média nacional (20,8), mas alinhada à média da própria Amazônia Legal (27,3).
Para o pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Rodrigo Chagas, o cenário revela um comportamento que já vinha sendo observado desde 2022: a expansão constante das facções.
“O Amazonas, particularmente, marca a média da região. Mas o que mais chama atenção é a ascensão das facções, com destaque para o Comando Vermelho, que praticamente hegemoniza a Amazônia e penetra cada vez mais em pequenos municípios. É uma tendência que já monitorávamos e que agora se confirma”, afirma Chagas.
Interior mais impactado
Apesar de uma redução geral nos índices, municípios de pequeno e médio porte concentram explosões de violência. Segundo o estudo, Rio Preto da Eva teve a taxa média mais alta da região entre 2022 e 2024, com 98,5 mortes violentas por 100 mil habitantes.
Já cidades como Coari, Iranduba e Tabatinga, com população entre 50 e 100 mil habitantes, também registraram índices “bastante significativos”, reforçando a migração da violência para áreas menores.
“É importante olhar para essas cidades menores. A entrada das facções leva para o interior uma violência persistente, e em alguns casos explosões repentinas, como ocorre em Rio Preto da Eva”, destaca Chagas.

Dados gerais do estudo
O levantamento também traz outros indicadores relevantes sobre a realidade da Amazônia Legal:
- Mortes violentas na Amazônia Legal caíram para 8.047 em 2024, mas o número ainda é 31% maior que a média nacional;
- Maranhão foi o único estado da região com alta na taxa de homicídios em 2024 (+11%);
- Amapá lidera como o estado mais violento, com 45,1 mortes por 100 mil habitantes.
- Pará e Maranhão aparecem à frente nos conflitos agrários;
- Feminicídios são 19% maiores na região do que a média do país;
- Estupros aumentaram, na contramão do restante do Brasil, e 80% das vítimas têm 14 anos ou menos;
- Facções passaram a impor regras de comportamento para mulheres, incluindo até autorização para terminar relacionamentos.
Estados onde a Facção atua na Amazônia Legal
Com base nos dados do estudo, podemos analisar que o Amazonas lista no ranking dos estados onde há concentração do Comando Vermelho (CV):
- Amazonas: 25 de 62 municípios (40%);
- Acre: 22 de 22 municípios (100%);
- Amapá: 10 de 16 municípios (62,5%);
- Pará: 91 de 144 municípios (63%);
- Maranhão: 53 de 181 municípios (29%);
- Rondônia: 21 de 52 municípios (40%);
- Roraima: 13 de 15 municípios (80%);
- Mato Grosso: 92 de 141 municípios (65%);
- Tocantins: 17 de 139 municípios (12%).
A expansão da facção é fortalecida pela estratégia de dominar rotas fluviais e corredores logísticos usados no tráfico de drogas, sobretudo no eixo rio Solimões fronteira com Colômbia e Peru.
