Em menos de uma semana, o Vasco saiu do discurso inflamado por G-7 para ouvir “olé” irônico em São Januário. Agora, entre a frustração e a esperança, o principal trunfo do time é o que não teve nas últimas rodadas: tempo. Serão 11 dias sem jogos até encarar o Grêmio, em Porto Alegre, pela 34ª rodada do Brasileirão, no dia 19, período visto internamente como chance decisiva para reorganizar a equipe e manter vivo, ao menos, o sonho de vaga na pré-Libertadores.
O site “chance de gol” aponta o cruzmaltino com apenas 6.6% de probabilidades de conquistar a vaga na fase preliminar do torneio mais importante do continente.
Há três semanas, o clima era outro. Depois da vitória sobre o Fluminense, o clube divulgou um vídeo de bastidores em que o presidente Pedrinho pedia ao elenco que “olhasse para cima” e projetava o time brigando pela Libertadores em poucas rodadas. A sequência foi animadora: triunfo por 3 a 0 sobre o Bragantino, fora de casa, e a quarta vitória consecutiva no campeonato. O objetivo de alcançar o G-7 parecia real, com dois confrontos diretos na sequência: São Paulo e Botafogo.
Foi aí que tudo desandou
Contra o São Paulo, em São Januário, o Vasco teve boa atuação, sobretudo no primeiro tempo, criou chances, mas sofreu um gol de pênalti de Lucas nos acréscimos da etapa inicial. Na segunda etapa, lançou o time ao ataque, chegou a ter cinco atacantes em campo, mas cedeu espaços e levou o segundo gol, de cabeça, de Luiz Gustavo, aos 41 minutos. A derrota doeu, mas a torcida reconheceu o esforço e aplaudiu o time na saída. Fernando Diniz destacou justamente essa reconexão com as arquibancadas como um dos pontos mais positivos do momento.

No clássico contra o Botafogo, no Nilton Santos, o roteiro foi bem diferente. O Vasco fez uma de suas piores partidas no campeonato: foi dominado do início ao fim, perdeu por 3 a 0, não finalizou nenhuma vez na direção do gol e viu o próprio Diniz admitir que a vitória do rival foi “inquestionável”.
De volta a São Januário, diante do Juventude, o jogo deste sábado tinha clima de “último voto de confiança” da torcida. O estádio estava cheio, o adversário lutava contra o rebaixamento, e a necessidade de reação era enorme para não deixar o G-7 desgarrar de vez. O começo foi promissor: Rayan abriu o placar e comemorou no estilo “Trem-Bala da Colina”. Mas erros individuais custaram caro. Ainda no primeiro tempo, Marcelo Hermes e Nenê viraram para o time gaúcho. Na etapa final, Ewerthon marcou o terceiro logo depois da expulsão de Paulo Henrique, que deixou o Vasco com um a menos e matou qualquer reação.
A partir dali, o clima azedou de vez. A torcida passou das palmas de incentivo das últimas semanas para a vaia generalizada. Matheus França virou alvo principal das críticas, e os vascaínos, em tom de ironia, passaram a gritar “olé” a cada troca de passes do Juventude. Os gritos de “time sem vergonha” marcaram o fim de jogo.
Com a derrota, o Vasco estacionou nos 42 pontos, caiu para a 10ª colocação e ainda pode perder mais uma posição a depender do resultado do Corinthians contra o Ceará. A equipe tem apenas cinco jogos a fazer e corre o risco de ver a distância para o G-7 chegar a nove pontos ao fim da 33ª rodada, o que torna a classificação direta via Brasileirão um objetivo cada vez mais distante.
Ao mesmo tempo, o time continua vivo na Copa do Brasil, em que disputa a semifinal contra o Fluminense nos dias 11 e 14 de dezembro, o que mantém aberta outra porta de acesso à Libertadores.
Entre a turbulência recente e o calendário apertado que vem pela frente, o Vasco ganha agora uma pausa rara: 11 dias sem entrar em campo por causa da Data Fifa. Será a janela para Diniz tentar corrigir os problemas defensivos, recuperar confiança, reorganizar o time e fazer o discurso por vaga na pré-Libertadores voltar a fazer algum sentido. Resta saber se esse tempo, enfim, vai jogar a favor.
