Eu conheço várias empresas que estão buscando descobrir o estágio atual em que se encontram Indústria 4.0, possíveis trilhas, bem como novos reposicionamentos digitais. E isso é bom, pois dinamiza o mercado da transformação digital e renova as empresas para encarar a Quarta Revolução Industrial. Guimarães Rosa já dizia “As coisas mudam no devagar depressa dos tempos”, e já temos fortes sinais.
Mapeamento de estratégias e objetivos
Os sinais são sentidos em diversas dimensões empresariais – manufatura, modelo de negócios, logística – e cabe ao gestor entendê-los e traduzi-los para o resto da organização. O fato é que precisamos de uma bússola, de um plano ou de um roadmap. Este último muito frequente nos estudos desta nova era digital. O roadmap é uma abordagem utilizada para a identificação, definição e mapeamento das estratégias, objetivos e ações relacionados com a inovação em uma organização ou negócio. Em geral, tem-se o tempo como balizador (curto, médio e longo prazo) e as tecnologias, produtos/serviços e mercados que deslizam sobre a trilha do processo evolutivo, que no caso da indústria 4.0 podem ser os avanços tecnológicos e seus impactos na manufatura e na empresa.
Investimento, capacitação e mercado
Um aspecto importante é que o roadmap garante um alinhamento entre os investimentos em tecnologias e o desenvolvimento de novas capacidades que resultem em aumento na criação ou geração de valor para o negócio. Temos os recursos do P&D que podem subsidiar tais experimentos e contribuir para novas rotas de desenvolvimento no Polo Industrial de Manaus. Decerto, a complexidade da gestão tecnológica alavanca a necessidade da efetiva identificação, seleção, aquisição, desenvolvimento e proteção das tecnologias — produto, processo e infraestrutura — para que os impactos no modelo de negócios sejam efetivos. Ou seja, o roadmap pode ser entendido como uma visão prospectiva de futuro, baseada em conhecimento de especialistas. Aqueles que conhecem a mata. Cabe ao gestor criar os vínculos existentes entre objetivos estratégicos e os ativos tecnológicos, para que produzam os efeitos de mudança pretendidos para um novo estágio empresarial e tecnológico.
Maturação e direcionamento
Porém, vale o registro que o desenvolvimento de tecnologias possui um caráter exploratório, dinâmico, cercado de incertezas e marcado por longos prazos, já que mudanças tecnológicas ou inovações envolvem mudanças profundas da antiga rotina. Portanto, sem um direcionamento o risco de baixos resultados será muito maior e com consequências mercadológicas inevitáveis. Vejo um crescimento, e amadurecimento, de um ecossistema de inovação no âmbito do Polo Industrial de Manaus. De um lado as empresas com incertezas e necessidades de entender essa nova trilha, e de outro as inteligências disponíveis (academia, institutos de pesquisa e etc). Precisamos conectar e gerar valor.
Impacto na gestão, produção e lucro
A percepção comum, entre os atores da inovação, é que o processo de mudança está iniciando lentamente, mas com profundos impactos na forma de gerir, de produzir e dar lucro. Alguns caminhos que podemos trilhar: buscar identificar o grau de maturidade e prontidão da indústria 4.0, desenvolver inteligências internas, avaliar os processos que geram valor e introduzir a tecnologia para ampliá-los, e sobretudo um alinhamento estratégico. Imagine que estamos no meio da mata, fechada, amazônica, tropical, difícil acesso. Tal cenário lembra um livro, de 2008, de Martin Ford intitulado “Luzes no fim do túnel: automação, aceleração da tecnologia e a economia do futuro”, no qual comenta os avanços tecnológicos e a rapidez que as mudanças ocorrem, principalmente na duplicação sistemática na capacidade de processamento dos computadores e como isso afetaria o mercado de trabalho. Precisamos mudar depressa no devagar da floresta.
