Um levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), com base nos dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), revelou que os municípios de Lábrea e Apuí, localizados ao Sul do Amazonas, lideraram o ranking de desmatamento na Amazônia entre agosto de 2024 e julho de 2025. Juntos, os dois municípios perderam 277 km² de floresta nativa, o equivalente a cerca de 76 campos de futebol por dia, totalizando quase 30 mil ao longo de 12 meses.
Segundo a pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim, os números relacionados ao desmatamento nas localidades vinham apresentando redução entre 2022 e 2023. O estudo mais recente, no entanto, registrou um novo aumento.“Tivemos esse leve aumento agora, o que alerta para a urgência em combater a derrubada nessas áreas mais pressionadas”, afirmou.
Além de Lábrea e Apuí, outros municípios do Brasil figuram entre os dez que mais desmataram no período:
Em Mato Grosso:
- Colniza;
- Marcelândia;
- União do Sul,
No Pará:
- Uruará;
- Portel;
- Itaituba;
- Pacajá.
E no Acre:
- Feijó.

Degradação florestal dispara
Ainda conforme a pesquisa, houve um crescimento da degradação florestal. A área de floresta degradada quase quadruplicou no último ano, passando de 8.913 km², entre agosto de 2023 e julho de 2024 para 35.426 km² entre agosto de 2024 e julho de 2025. Esse tipo de dano, diferente do desmatamento, envolve a deterioração da vegetação por queimadas ou extração seletiva de madeira.
Segundo o Imazon, o salto se deve principalmente às grandes queimadas ocorridas nos meses de setembro e outubro de 2024. “A degradação florestal fragiliza a floresta, aumenta a emissão de carbono e deixa a Amazônia ainda mais vulnerável, ameaçando sua biodiversidade e as populações locais”, explica Manoela Athaíde, pesquisadora do instituto.
Estados concentram maior parte dos danos
Pará, Mato Grosso e Amazonas lideram tanto em desmatamento quanto em degradação. Juntos, esses três estados foram responsáveis por 76% de toda a área desmatada e por 87% da floresta degradada na Amazônia no período analisado.
Pará e Mato Grosso apresentaram aumento nas áreas desmatadas, com variações de 6% e 31%, respectivamente. O Tocantins também registrou crescimento no desmatamento, com alta de 8%.
