Saúde

SUS passa a oferecer teste de DNA-HPV para detecção precoce de câncer do colo do útero

A nova tecnologia permite detectar 14 genótipos do papilomavírus humano (HPV), identificando a presença do vírus no organismo antes do surgimento de lesões ou de câncer em estágios iniciais, mesmo em mulheres assintomáticas

Escrito por Redação
30 de agosto de 2025
Foto: João Risi/MS

O teste de biologia molecular DNA-HPV, indicado para o rastreamento organizado de câncer do colo do útero, passou a ser oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

A nova tecnologia permite detectar 14 genótipos do papilomavírus humano (HPV), identificando a presença do vírus no organismo antes do surgimento de lesões ou de câncer em estágios iniciais, mesmo em mulheres assintomáticas.

O exame, considerado mais preciso que o tradicional Papanicolau, também apresenta maior sensibilidade diagnóstica, o que possibilita ampliar o intervalo entre os testes, que poderá chegar a até cinco anos quando o resultado for negativo. Segundo o Ministério da Saúde, a medida contribui para maior eficiência no rastreamento e redução de custos na rede pública.

A implementação começa por um município em cada um dos seguintes estados: 

  • Rio de Janeiro;
  • São Paulo;
  • Minas Gerais;
  • Ceará;
  • Bahia;
  • Pará;
  • Rondônia;
  • Goiás;
  • Rio Grande do Sul;
  • Paraná;
  • Pernambuco;
  • Distrito Federal.

Esses locais foram selecionados por possuírem estrutura para colposcopia e biópsia, necessárias nos casos em que o teste indicar alterações.

Sobre o dispositivo 

Produzido pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), ligado à Fiocruz, o teste substitui o exame citopatológico como método de rastreamento. O Papanicolau continuará a ser utilizado apenas para confirmação de resultados positivos no teste molecular.

A coleta é semelhante à do exame tradicional: envolve a retirada de secreção do colo do útero durante exame ginecológico. A diferença é que, no novo método, o material é colocado em um tubo com líquido conservante e enviado ao laboratório, onde é realizada a análise do DNA viral.

A incorporação da tecnologia ao SUS foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) no início de 2024. A meta do governo federal é expandir o acesso gradualmente, com cobertura nacional prevista até dezembro de 2026, beneficiando cerca de 7 milhões de mulheres de 25 a 64 anos anualmente.

O HPV é apontado como o principal causador de câncer do colo do útero, que é o terceiro tipo de câncer mais frequente entre as mulheres no Brasil. Estima-se uma média de 17 mil novos casos por ano entre 2023 e 2025, com 20 mortes diárias provocadas pela doença, especialmente na região Nordeste.

A testagem de HPV é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e é considerada padrão ouro para a detecção precoce de câncer do colo do útero. A iniciativa faz parte da estratégia global da entidade para eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030.

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