Manaus registrou a morte de 41 bebês por sífilis congênita entre os anos de 2020 e 2024, segundo dados do Boletim Sífilis 2025, divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). O levantamento aponta que, no mesmo período, foram notificados 1.641 casos da doença em menores de um ano na capital, revelando um cenário preocupante da transmissão vertical da infecção — quando a sífilis é passada da mãe para o bebê durante a gestação ou no parto.
A sífilis congênita pode causar abortos, partos prematuros, malformações, cegueira, surdez e até a morte do recém-nascido. Segundo a Semsa, mais de 80% dos casos registrados em Manaus ocorreram devido ao abandono do pré-natal e à interrupção do tratamento por parte das gestantes.
A enfermeira Ylara Enmily Costa, do Núcleo de Controle de HIV/Aids, IST e Hepatites Virais da Semsa, explica que o tratamento da sífilis na gestação é simples, mas exige comprometimento. “É feito com três doses semanais de penicilina. Porém, por ser um procedimento doloroso e exigir regularidade, muitas mulheres não completam o tratamento”, aponta.
A sífilis tem cura e a transmissão vertical pode ser evitada em 100% dos casos, desde que a infecção seja diagnosticada precocemente e tratada de forma adequada. Em 2024, apenas 42,3% dos diagnósticos foram feitos durante o pré-natal, enquanto 52,4% ocorreram apenas no momento do parto ou em procedimentos de curetagem, comprometendo as chances de prevenir a infecção nos bebês.
A secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, destacou a importância do boletim epidemiológico como ferramenta de gestão e mobilização.
“A sífilis é uma doença que tem cura, mas pode causar consequências irreversíveis se não tratada corretamente. O boletim permite orientar políticas públicas e conscientizar a população sobre os riscos da infecção”, afirma.
Além de detectar e tratar a gestante, a Semsa reforça a necessidade de tratar também os parceiros sexuais para evitar a reinfecção. O tratamento é feito com a benzilpenicilina benzatina, única capaz de atravessar a placenta e tratar o feto.
Em 2024, até 12 de maio, Manaus registrou 5.589 casos de sífilis no total, sendo:
- 3.431 entre adultos (exceto gestantes);
- 1.741 em gestantes;
- e 96 casos de sífilis congênita.
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e é transmitida, principalmente, por relação sexual desprotegida. A faixa etária mais afetada pela forma adquirida da doença está entre 20 e 39 anos, concentrando mais de 66% dos casos.
A Prefeitura de Manaus disponibiliza o Boletim Sífilis 2025 para consulta pública no site da Semsa e reforça a importância da realização do pré-natal completo e do tratamento adequado para prevenir novos casos e mortes evitáveis.
