Entre os sete brasileiros que participarão do conclave, processo que escolherá o novo papa a partir desta terça-feira, de 7 de maio, está Dom Leonardo Steiner. A agência Reuters chegou a apontar o arcebispo de Manaus como um possível sucessor do pontífice.
Natural de Forquilhinha, no interior de Santa Catarina, Leonardo Ulrich Steiner foi nomeado arcebispo metropolitano de Manaus em 2019. Três anos depois, em 2022, recebeu o título de Cardeal da Amazônia, nomeado pelo próprio Papa Francisco.
“Ele é o cardeal da Amazônia, é aquele que vai ser consultado pelo Papa para uma realidade específica, como um conselheiro. Os cardeais são essas instâncias dentro da Igreja que ajudam o papa a governar, a exercer esse grande mandato do Senhor de levar em frente a animação pastoral da Igreja, de conversar com as realidades“, afirmou o pároco da Paróquia São Francisco das Chagas, em Manaus, frei Paulo Xavier, na época em que Steiner tomou posse como cardeal.
Nascido em 6 de novembro de 1950, Steiner ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1972, ao ser admitido no Noviciado da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. Foi ordenado padre por Dom Paulo Evaristo Arns em 1978. Cursou pedagogia e se tornou mestre de noviços.
Em 1995, mudou-se para Roma, onde concluiu o mestrado e doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade Antonianum. Entre 1999 e 2003, atuou como secretário-geral da mesma universidade.
De volta ao Brasil, foi nomeado vigário da Paróquia Bom Jesus, em Curitiba, e passou a lecionar na Faculdade São Boaventura. Em 2005, tornou-se bispo da prelazia de São Félix, no Mato Grosso, e, em 2011, foi nomeado bispo auxiliar de Brasília, exercendo também o cargo de secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entre 2011 e 2019.
Durante entrevista coletiva realizada na sede da Cúria Metropolitana de Manaus, no dia 21 de abril, Dom Leonardo falou sobre o ministério petrino de Francisco, destacando seu compromisso com os mais pobres, sua atenção às periferias e sua postura acolhedora diante dos desafios contemporâneos da Igreja.
“O nosso sentimento primeiro é de gratidão. É claro que sentimos, lamentamos muito, mas o nosso sentimento é de extrema gratidão. O papa Francisco devolveu à igreja os fundamentos necessários e por isso somos extremamente gratos por isso“.
Steiner também comentou um dos primeiros gestos significativos do Papa Francisco: a convocação do Ano da Misericórdia, em 2016. Para ele, o pontífice jesuíta será lembrado como um “papa misericordioso”.
“Uma das primeiras colocações do seu pontificado foi a misericórdia. Ele convocou o Ano Santo da Misericórdia recordando que o mistério do amor está envolvido pela misericórdia. A misericórdia é a expressão do amor. Misericórdia essa que não é apenas perdão, mas, sobretudo, o acolhimento dos pobres“, finalizou.
Como funciona o Conclave?
A palavra “conclave” vem do latim cum clavis e significa “fechado à chave”. É por meio dele que a Igreja Católica elege o novo papa.
Durante os dias de eleição, cardeais do mundo todo ficam fechados dentro do Vaticano, em uma área conhecida como “zona de Conclave”. Eles também fazem um juramento de segredo absoluto sobre o processo.
Veja quem são os brasileiros que podem participar do Conclave:
- Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus, 74 anos;
- Sérgio da Rocha, Primaz do Brasil e arcebispo de Salvador, 65 anos;
- Jaime Spengler, presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre, 64 anos;
- Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, 75 anos;
- Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, 74 anos;
- Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, 57 anos;
- João Braz de Aviz, arcebispo emérito de Brasília, 77 anos.
O único cardeal brasileiro que não poderá participar do Conclave é Raymundo Damasceno, arcebispo emérito de Aparecida, de 87 anos. Ainda assim, ele será convidado a integrar o Colégio dos Cardeais, que discutirá assuntos inadiáveis da Igreja até a escolha do novo papa.
