A COP30 será em Belém. E, mais do que um evento climático, ela vai ser um teste de comunicação global. Porque falar de aquecimento, carbono e sustentabilidade é fácil… o difícil é fazer o mundo (e quando eu digo o mundo, é todo mundo mesmo), entender o que isso significa de verdade.
A grande falha da pauta ambiental não está só na política, está na linguagem.
A ciência fala difícil. O poder fala bonito. E o povo não entende nenhum dos dois.
É aí que a comunicação precisa entrar: como ponte entre o técnico e o cotidiano, entre o dado e a vida real, entre a Amazônia das manchetes e a Amazônia de quem vive nela.
Belém vai ser palco de discursos, promessas e metas. Mas se a mensagem não chegar de forma clara e mobilizadora, a COP30 vira só mais um evento com crachás, painéis e hashtags bonitas.
Comunicação não é detalhe, é a engrenagem que transforma política climática em consciência coletiva.
E o Amazonas, com Manaus no centro da floresta, tem um papel crucial nesse enredo. Aqui, o debate sobre sustentabilidade precisa sair dos relatórios e entrar nas ruas, nas escolas, nos bairros alagados e nas comunidades ribeirinhas (e também nos espaços de poder, coisa que não temos visto). Porque falar de meio ambiente sem ouvir quem vive na Amazônia é como discutir saúde sem ouvir o paciente. A COP30 precisa fazer barulho daqui pra fora, e não o contrário.
E talvez esse seja o verdadeiro desafio da COP30: fazer o mundo entender que salvar o planeta começa com saber se comunicar.
Colunista
Bruno Rodrigues
Consultor de comunicação
