Política

Rosses diz que eleição de 2024 em Manaus teve fraude eleitoral

Durante discurso na CMM, parlamentar citou investigação da Polícia Federal e afirmou que aliados do prefeito teriam articulado distribuição de dinheiro em igrejas evangélicas na véspera do segundo turno

Escrito por Rosianne Couto
16 de março de 2026
Vereador Coronel Rosses denunciou na CMM suposto esquema de compra de votos em igrejas durante as eleições de 2024 em Manaus. Foto: Arquivo – Dicom/CMM

O vereador Coronel Rosses (PL) reafirmou, nesta segunda-feira (16/3), que a eleição municipal de 2024 em Manaus foi marcada por fraude e manipulação eleitoral. A declaração foi feita durante o Pequeno Expediente na Câmara Municipal de Manaus (CMM), em referência a uma investigação da Polícia Federal que aponta indícios de compra de votos envolvendo líderes religiosos e pessoas ligadas ao prefeito David Almeida (Avante).

Segundo o parlamentar, o caso ultrapassa os limites de um simples crime eleitoral e representa, em suas palavras, uma “abominação contra a fé e contra a democracia”. Rosses citou a denúncia já publicada no portal Diário da Capital, na qual a Polícia Federal identifica o genro do prefeito como articulador de um suposto esquema de compra de votos com pastores evangélicos.

“Até então isso era tratado como suposição. Mas agora a própria Polícia Federal aponta que esse tipo de prática realmente aconteceu”, afirmou o vereador em plenário.

De acordo com Rosses, agentes federais teriam flagrado a distribuição de envelopes com R$ 200 em dinheiro na véspera do segundo turno das eleições municipais. O episódio, segundo ele, teria ocorrido em um centro de convenções ligado a uma igreja evangélica da capital amazonense.

Ainda segundo o parlamentar, pastores teriam sido convocados para participar do encontro e assinar listas para receber os valores, sob ameaça de restrição de benefícios caso não comparecessem. Para Rosses, o episódio evidencia a instrumentalização da fé para fins eleitorais.

“Enquanto cidadãos de bem saíam de casa para votar com esperança, a família Almeida transformava a casa de Deus em um balcão de negócios”, declarou.

O vereador também afirmou que perícia realizada em celulares apreendidos pela Polícia Federal teria identificado planilhas com o número de fiéis vinculados à igreja citada no caso. Segundo ele, os dados indicariam a utilização da estrutura religiosa como mecanismo de mobilização eleitoral.

Durante o discurso, Rosses também mencionou conexões entre a investigação e a Operação Erga Omnes, que apura supostas irregularidades envolvendo pessoas próximas ao prefeito.

Em tom crítico, o parlamentar acusou a base governista de ignorar as denúncias e questionou a falta de repercussão do caso. “O que vemos é gente defendendo que a eleição de 2024 foi justa. Mas há provas concretas de que houve uma operação criminosa, fria e calculada. A ‘direita’ foi roubada em 2024”, afirmou.

A denúncia citada pelo vereador integra um conjunto de investigações que seguem em apuração pela Polícia Federal e pela Justiça Eleitoral. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre o caso.


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