Comunicação

Quem vai decidir 2026 tá c… e andando pra política!

O erro mais comum em ano eleitoral é confundir barulho com maioria.

Escrito por Bruno Rodrigues
16 de janeiro de 2026
Foto: Reprodução

Vou começar esse nosso papo fazendo uma pergunta simples:
quando foi a última vez que você mudou seu voto porque leu um comentário no Instagram?

Pois é…

Se você ainda está lendo 2026 a partir do barulho das redes, dos comentários mais exaltados ou dos grupos mais “fofocaiosos” de WhatsApp, talvez esteja superestimando quem fala… e subestimando quem decide.

No Amazonas (especialmente em Manaus) quem decide eleição quase nunca comenta política.

Esse eleitor não disputa narrativa em post.
Não defende político como se fosse time.
Não entra em briga virtual.
Às vezes, nem segue ninguém da política.

Mas observa.
Compara.
Guarda.
E vota.

O erro mais comum em ano eleitoral é confundir barulho com maioria.
Confundir curtida com convencimento.
Confundir militância com eleitorado.

Aqui isso custa caro.

O eleitor silencioso decide no cotidiano.
Decide no ônibus lotado, no preço do mercado, na rua esburacada, na demora do serviço público, na sensação de abandono (ou na ausência dela).


Decide na conversa de casa, no incômodo acumulado, no “não era bem isso que eu esperava”.

Enquanto isso, campanhas inteiras continuam falando para quem já está decidido.
Ou pior: continuam alimentando quem só quer brigar.

E deixa eu te contar algo que incomoda muita gente da comunicação:
esse eleitor não responde estímulo óbvio.

Ele rejeita exagero.
Desconfia de espetáculo.
Cansa rápido de político que aparece demais.
E guarda, com uma memória cruel, tudo aquilo que foi mal explicado.

No Amazonas, rejeição raramente nasce de ideologia.
Nasce de sensação.
De ruído.
De promessa atravessada.
De silêncio que virou descaso.

Por isso, 2026 não será decidida pelo político mais comentado.
Nem pelo mais curtido.
Nem pelo mais atacado.

Vai ser decidida por quem conseguir atravessar o ruído, não irritar, reduzir rejeição e construir presença sem saturar.

Comunicação política madura não é a que grita mais alto.
É a que entende quando falar…
e quando sair de cena.

Se você trabalha com política e ainda acha que comentário define eleição, talvez esteja ganhando debate, e perdendo voto!

Porque, no fim das contas, quem vai decidir 2026 já está te observando.
Em silêncio.

E você nem percebeu.

Colunista

Bruno Rodrigues

Bruno Rodrigues

Consultor de comunicação

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