A gente vai analisando o cenário do futebol amazonense atual e nos damos conta de que, o mesmo que estende a mão também acaba afundando o clube. Seja por uma decisão ou até mesmo por uma opinião. Nesta sexta-feira (8), recebi o documento e a informação de que a sede do São Raimundo, um clube centenário, vai à Leilão no próximo dia 22 de agosto.

Tudo oriundo de um empréstimo de 2009 no valor de R$ 50 mil reais para pagar salário de jogadores. Conforme apurei com pessoas próximas ao caso, à época o presidente era David Jerônimo, que se viu retirado da presidência e entrou com o processo. Em 2011 a Justiça deu ganho de causa e ele nunca foi ressarcido. A questão é que o processo gerou juros e ultrapassa a R$ 1 milhão de reais.
Não muito recente, o São Raimundo teve a oportunidade de se tornar SAF ao valor inicial de investimento de R$ 5 milhões de reais, mas para que fosse adiante era necessária uma autorização unânime de todos os conselheiros e gestores antigos do clube. Bom, o principal investidor dos últimos anos do Tufão, empresário Janmes Alberto, anunciou saída e entregou a seguinte justificativa pra mim “Cansei, Larissa”.
Em 2021, outra sede que foi a Leilão foi a do Rio Negro que é outro clube centenário. Neste caso, o local de fato foi arrematado, mas o comprador desistiu e a Justiça acatou o pedido do clube de manter conservada a sede em troca de um plano de pagamento das dívidas trabalhistas. A bem da verdade é que hoje, é mais interessante você criar um clube do zero ou uma estrutura do zero do que tentar ajudar os clubes antigos.
Li um comentário sobre a reportagem que fiz dessa questão do Leilão da sede do São Raimundo em que a pessoa dizia que ninguém patrocina os clubes. Errada colocação. Errada é a gestão de quem não sabe gerir e isso vai de clube novo e antigo viu? Eu não posso aqui dizer o que deve ser feito numa gestão de clube, mas estou no meu direito de criticar as péssimas decisões que colocam os clubes em algumas situações desnecessárias. Até porque, se estivessem fazendo algo correto, não teríamos sedes colocadas a leilão, atletas com salários atrasados e contratações contestadas.
Temos uma infinidade de exemplos de clubes que sumiram, que nunca mais foram os mesmos justamente por conta dessas gestões. Se a gente for pegar no papel o futebol amazonense, o Nacional que é outro centenário ainda sobrevive da sua sede, mas peca em colocar a presidência em várias mãos de quem não tem nem a vivência do futebol ou pior, coloca a política no meio disso tudo, e eu vou dizer sempre foi assim, não é novidade. Mas, precisa mudar. O Fast atualmente tem uma diretoria, um CT, mas o clube amargou um rebaixamento justamente por talvez ter tomado a melhor decisão possível: desistir do Campeonato Amazonense de 2021 por não ter dinheiro e acabou sendo punido. Desde então, não consegue reação para voltar para a elite. Mas, devagar, constrói seu espaço e legado. Um clube que se aproxima do centenário.
Dos novos, Manauara é o que melhor representa ter uma estrutura ímpar e só precisa agora de calendário e paciência. O Manaus, um dos clubes novos que puxou essa nova leva de equipes, oscilou nos seus planos, tem CT, mas caiu de divisão. Porém, devo reconhecer a vocês que é um dos poucos que não vejo ser acionado judicialmente por falta de pagamento ou algo do tipo. Claro que tem suas pendências financeiras, mas buscam honrar sempre que podem e são amistosos.
Eu poderia listar muitos exemplos aqui, mas a grande verdade é que eles são os que causam problemas e os trazem solução, só precisam descobrir o tempo certo de serem tudo isso. E ao São Raimundo, um clube centenário com uma torcida que é apaixonada, se não mudarem a forma de pensar o futebol, não terão mais história.
Como disse um amigo meu: “não queremos a sede, queremos futebol”, o que mostra que a situação do clube é ainda pior.
Colunista
Larissa Balieiro
Jornalista esportiva, apresentadora do Fora de Série AM, proprietária da @agenciaesportiva.lbame vencedora do Prêmio de Jornalista Esportiva mais admirada da região norte.
