Uma denúncia recebida pelo portal Diário da Capital, nesta segunda-feira (16/3), levanta suspeitas sobre o uso da estrutura administrativa da Secretaria Municipal de Infraestrutura de Manaus (Seminf) para mobilização política em favor do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), que já se apresenta publicamente como pré-candidato ao Governo do Amazonas nas eleições deste ano.
De acordo com relatos e registros encaminhados à reportagem, servidores comissionados da secretaria estariam sendo incentivados — e, em alguns casos, pressionados — a participar de enquetes e votações divulgadas em redes sociais que envolvem cenários eleitorais no estado.
Prints obtidos pela reportagem mostram mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp vinculados à estrutura da Seminf com o título “ENQUETE URGENTE”, acompanhadas de links para votação no Instagram. Na publicação, os participantes são orientados a acessar o link e registrar voto em favor de David Almeida.
Em uma das mensagens, aparece a orientação direta para que os integrantes do grupo participem da votação, seguida da indicação explícita do nome do prefeito como opção de voto. Em seguida, um participante reforça o chamado com a mensagem: “Bora pessoal”, sugerindo mobilização coletiva para impulsionar o resultado da enquete. Veja um dos prints abaixo:

Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela reportagem apontam que, caso seja confirmada qualquer forma de pressão ou uso da máquina pública para engajamento político, a prática pode configurar desvio de finalidade administrativa e possível abuso de poder político, sobretudo quando envolve servidores nomeados em cargos de confiança.
Embora enquetes em redes sociais não tenham valor científico ou eleitoral formal, o uso da estrutura interna de órgãos públicos para direcionar a participação em votações que favoreçam um agente político levanta questionamentos sobre a fronteira entre comunicação institucional e mobilização eleitoral antecipada.
A reportagem procurou a Seminf para comentar o caso e esclarecer se há orientação institucional para participação em votações nas redes sociais. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.
