Após o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), chamar políticos que criticam sua gestão de “vagabundos” durante a entrega da revitalização da Praça dos Remédios, no Centro da capital, no dia 24 de outubro, o episódio repercutiu entre os parlamentares na Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Durante a 97ª sessão ordinária, realizada nesta terça-feira (4/11), o vereador Amauri Gomes (UB) comentou as declarações do prefeito e questionou a diferença de tratamento em situações semelhantes. Segundo o parlamentar, quando um vereador faz críticas mais duras ao Executivo, pode responder por quebra de decoro, mas “quando o prefeito ofende os políticos, nada acontece”.
“Se nós, vereadores aqui, chamarmos qualquer um de vagabundo, nós sofremos um processo de cassação, né, vereador? Porque isso é quebra de decoro parlamentar. E se o prefeito chama qualquer parlamentar desta Casa, acontece o quê? Ele tem a prerrogativa de ofender qualquer parlamentar? Eu queria saber, e que os vereadores da base me ajudassem a encontrar essa resposta”, questionou Gomes.

Segundo Amauri, ele se sentiu ofendido com a declaração do prefeito. O parlamentar destacou que, apesar de estar há pouco tempo na Casa Legislativa, sempre exerceu o papel de fiscalizador da Prefeitura de Manaus, mesmo antes de assumir o mandato, atuando como cidadão atento à gestão pública. “Todo mundo que se opõe a qualquer coisa errada na cidade de Manaus foi chamado de vagabundo”, ressaltou.

Falta de transparência
Os parlamentares da Câmara Municipal de Manaus (CMM) têm utilizado a tribuna para cobrar mais transparência da Prefeitura de Manaus em relação aos gastos públicos da cidade. A recente declaração do prefeito foi interpretada como um ataque direto à oposição, que desde o início de 2025 vem denunciando a falta de transparência e os altos gastos da atual gestão. Segundo os vereadores da oposição, muitas dessas ações e eventos da prefeitura não apresentam informações detalhadas sobre despesas.
Confira declaração
Durante discurso sobre as ações de inclusão social e os projetos de distribuição de água em Manaus, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), citou o cantor e compositor Cazuza (1958–1990) para afirmar que “vê o futuro repetir o passado”.
“Os caras que me atacam, eu respondo com trabalho, com entregas. E digo mais, Cazuza dizia: ‘Eu vejo o futuro repetir o passado’, parece que o pessoal está aplaudindo Barrabás de novo. Estão aplaudindo o ‘Barrabás’ da vida, e quem trabalha, quem entrega, acaba ficando em uma situação difícil, porque as pessoas acabam acreditando em mentiroso, no preguiçoso, naquele que não entrega”, declarou o prefeito.
O prefeito declarou ainda que “a vida dessas pessoas é mais suja que corda de amarrar pato” e acrescentou que quem trabalha e entrega resultados acaba ficando em situação difícil.
O Diário da Capital solicitou um posicionamento da Prefeitura de Manaus sobre a repercussão dessas declarações na tribuna da CMM desta terça-feira, mas até o momento não obtivemos resposta. O espaço continuará aberto para manifestação.
