Política

“Não vou assinar”, diz Aldenor Lima sobre proposta da CPI dos Empréstimos

Inicialmente, Aldenor Lima deixou claro que estava aberto à possibilidade de assinar a CPI

Escrito por Rhyvia Araujo
8 de abril de 2025
Foto: Tiago Aníbal

A discussão sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI) para investigar o R$ 1,7 bilhão em empréstimos contraídos pela Prefeitura de Manaus, ganhou contornos tensos na manhã desta segunda-feira (8), após o vereador Aldenor Lima (UB) ser questionado pelo Diário da Capital se assinaria ou não o requerimento da Comissão.

Inicialmente, Aldenor Lima deixou claro que estava aberto à possibilidade de assinar a CPI, mas afirmou que um diálogo prévio com o vereador Rodrigo Guedes (PP), autor do pedido, seria necessário. Segundo o parlamentar, até aquele momento, Guedes não havia procurado nenhum parlamentar individualmente para pedir apoio, preferindo expor os nomes dos não assinantes no plenário da Câmara. 

“Ele não consegue chegar com cada um do vereador para pedir assinatura, ele simplesmente expõe a gente no parlamento dizendo quem assinou ou não. Acho que ele poderia simplesmente chegar como qualquer Projeto de Lei que a gente propõe aqui, seja CPI, Projeto de Resolução, a gente chega com o vereador e pede a assinatura”, criticou Aldenor.

Durante a conversa com a imprensa, Aldenor ainda questionou a lógica da investigação proposta por Guedes, uma vez que a gestão atual da Prefeitura de Manaus ainda não teria contraído a dívida de R$ 2,5 bilhões que está sendo alvo da proposta.

“Nós aprovamos aqui a possibilidade de ele contrair até R$ 2,5 bilhões. Como vamos investigar algo que ainda não aconteceu? Não tem como investigar o futuro. Se soubéssemos o futuro, teríamos uma bola de cristal”, ironizou Aldenor.

O vereador ainda ressaltou que a fiscalização sobre o uso de recursos públicos na gestão do prefeito David Almeida (Avante) deveria ter ocorrido durante a legislatura passada e que, neste momento, caberia ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) realizar a devida investigação. “Eu acho que quem deveria ter fiscalizado isso era a legislação anterior, não agora nesse momento, porque se já contraiu e gastou quem vai julgar é o Tribunal de Contas que vai investigar o prefeito. No caso desse novo a gente tem que esperar acontecer”, afirmou Aldeno.

Rodrigo Guedes apareceu na entrevista logo em seguida e esclareceu a Aldenor Lima que o foco da investigação não se referia aos R$ 2,5 bilhões previstos para empréstimos futuros, mas sim sobre o R$ 1,7 bilhão a R$ 2 bilhões que já haviam sido contratados pela administração de David Almeida. Guedes também enfatizou que havia tentado de diversas maneiras trazer à tona a questão do empréstimo em outras legislaturas, inclusive protocolando requerimentos para que a Prefeitura realizasse a prestação de contas.

“Eu apresentei vários requerimentos para a Câmara, na outra legislatura, inclusive para que a Prefeitura fizesse a prestação de contas dos empréstimos. Faço aqui o pedido para você assinar”, disse Guedes.

Lima, por outro lado, questionou o motivo do vereador não ter protocolado na legislatura passada, e reiterou que não assinaria a CPI proposta por ele. “Só agora você viu que aconteceu alguma coisa? E os outros quatro anos do seu mandato? Tu não acha que deveria falar com cada vereador? Mas respondendo à pergunta, eu não irei assinar essa CPI do Rodrigo Guedes”, disse Lima.

Após o confronto de ideias, Guedes afirmou que irá conquistar o apoio dos demais colegas de plenário. Atualmente, a CPI já conta com 11 assinaturas, sendo elas: Rodrigo Guedes (PP), autor do pedido, Coronel Rosses (PL), Rodrigo Sá (PP), Zé Ricardo (PT), Salazar (PL), Thaysa Lippy (PRD), Simon Bessa (UB), Diego Afonso (UB), Ivo Neto (PMB), Raiff Matos (PL) e Capitão Carpê (PL).

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