A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, anunciou que pretende mergulhar no rio Sena antes do início das Olimpíadas de 2024 para demonstrar que a água está apta para receber os atletas das provas de natação em águas abertas e triatlo. Inicialmente marcado para o dia 23 de junho, o evento foi adiado devido à alta vazão do rio após fortes chuvas, levantando especulações sobre a real qualidade da água.
Hidalgo remarcou a data para 30 de junho, mas novamente adiou o mergulho. A nova previsão é entre 8 e 23 de julho, após as eleições parlamentares. Durante o evento, ela convidou diversas autoridades, incluindo o presidente Emmanuel Macron, que segundo o Le Parisien, já confirmou presença.
Entretanto, a prefeita enfrenta um protesto inusitado. Um grupo de franceses, insatisfeitos com a gestão da cidade, planeja “sabotar” o evento com excrementos humanos. O movimento, iniciado no X (antigo Twitter) com a hashtag #JeChieDansLaSeineLe23Juin, gerou um site que calcula o tempo necessário para que os dejetos cheguem ao rio, dependendo da localização dos participantes. Embora a data do mergulho tenha mudado, a hashtag continua simbolizando a revolta local.
“O site é simples: tem uma contagem regressiva e um campo onde você informa a quantos quilômetros está distante de Paris. A partir desse dado, o algoritmo entrega a que horas o cidadão deveria evacuar para que o seu cocô chegue ao meio-dia no rio Sena”, explicou o criador do site, um jovem engenheiro de computação que prefere permanecer anônimo.
A frase de protesto “Porque depois de nos colocar na merda, cabe a eles se banhar na nossa merda” reflete a frustração com as políticas de Hidalgo. O site destaca que apesar dos investimentos milionários para os Jogos Olímpicos, serviços públicos como transporte e saneamento permanecem abandonados.
A promessa de tornar o Sena próprio para banho remonta a uma epopeia iniciada há 10 anos, quando Paris foi escolhida como sede das Olimpíadas de 2024. Desde 2016, Paris investiu 1,4 bilhão de euros (R$ 8 bilhões) para melhorar a qualidade da água do rio, que no século 19 era um local comum para nadar.
Entretanto, uma pesquisa de 2021 revelou que apenas 12% dos parisienses estariam dispostos a nadar no Sena. Análises recentes da associação Surfrider ainda apontam taxas de E.Coli acima das normas exigidas, especialmente perto da ponte Alexandre III.
O mergulho de Hidalgo e Macron visa não apenas provar a qualidade da água, mas também deixar um legado de limpeza do Sena para a cidade. A expectativa é que vários pontos do rio estejam abertos ao público a partir do próximo ano.