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Carros conectados: 48% dos veículos no Brasil podem perder acesso à internet em breve

A transição para as redes móveis 4G e 5G ameaça desativar a conectividade de mais de 2,3 milhões de carros no Brasil

Escrito por
Thiago Freire
December 24, 2023
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A revolução da conectividade automotiva, que começou em 2011 com o Chevrolet Agile, enfrenta um desafio no Brasil. Mais de 2,3 milhões de veículos, representando 48% dos carros conectados no país, podem perder o acesso à internet em breve devido à transição para as redes móveis 4G e 5G. Essa mudança, iminente com as contrapartidas do leilão do 5G, preocupa montadoras e a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Os sinais de internet 2G e 3G, que equipam quase metade dos carros conectados, estão programados para serem desligados assim que as obrigações do leilão do 5G forem cumpridas pelas operadoras, possivelmente antes de 2026. Essa situação coloca em risco não apenas a conectividade, mas também a possibilidade de ações judiciais por parte dos consumidores em caso de descontinuidade dos serviços.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) está pedindo ao governo federal e à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o adiamento do desligamento das redes. A justificativa é que, mesmo com a migração para 4G e 5G, muitos veículos ainda dependem dos sinais antigos por questões tecnológicas. Além disso, a responsabilidade das montadoras em fornecer peças de reposição e manutenção de serviços conectados se estende por vários anos.

A proposta é que o desligamento completo das redes 2G e 3G ocorra após a chegada plena do 4G e 5G em todas as cidades, com ampliação da cobertura nas estradas, uma expectativa para o final de 2029. A Abecs também se posiciona a favor de um prazo mais longo, destacando que muitas máquinas de cartão de crédito, especialmente as compactas, ainda dependem do 3G.

Entre os modelos impactados pela mudança estão desde o pioneiro Chevrolet Agile até carros de luxo e importados de marcas como Hyundai, Chrysler, Jaguar, Land Rover, BMW e Volvo, que passaram a oferecer conectividade própria ao longo dos anos. Embora apenas 250 mil dos 2,3 milhões de veículos impactados tenham planos ativos com as operadoras, a perda da funcionalidade pode afetar um número significativo de usuários. A Anfavea recomenda o adiamento para evitar impactos negativos e garantir uma transição suave para a próxima era da conectividade automotiva.

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