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Auditoria da CGU aponta fragilidades na venda da Refinaria de Mataripe (BA) abaixo do preço de mercado

Suspeitas de conexão com presentes árabes dados ao ex-presidente Bolsonaro reacendem.

Escrito por
Thiago Freire
January 05, 2024
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A auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) revela fragilidades na venda da Refinaria de Mataripe, na Bahia, em novembro de 2021. O relatório destaca a venda abaixo do preço de mercado como o principal problema, atribuindo-o à escolha do momento durante a pandemia de COVID-19, quando a cotação internacional do petróleo estava baixa. O empreendimento foi renomeado após a privatização, agora chamado Refinaria de Mataripe.

O valor de US$ 1,65 bilhão (R$ 8,08 bilhões pelo câmbio atual) para a Mubadala Capital, divisão de investimentos da Mubadala Investment Company dos Emirados Árabes Unidos, levantou questionamentos sobre o timing da negociação. O relatório não afirma diretamente a perda econômica, mas questiona se a Petrobras poderia ter aguardado a recuperação do mercado internacional de petróleo.

A CGU aponta uma "tempestade perfeita" no cenário de venda, combinando incerteza econômica, volatilidade e uma pandemia. Além disso, fragilidades na utilização de cenários e metodologias não usuais foram identificadas, sugerindo que a Petrobras poderia ter aguardado ou feito uma avaliação única, ajustando premissas operacionais e de preços.

As suspeitas de conexão com presentes dados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como joias e esculturas, reacenderam. A PF investiga tais presentes dados pelo governo dos Emirados Árabes Unidos, levantando questões sobre a relação entre esses eventos. O ministro da Advocacia Geral da União, Jorge Messias, destaca a necessidade de investigação sobre essa possível conexão.

O ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho, informa que o relatório está com a Polícia Federal, e o ex-presidente Bolsonaro, em março do ano passado, destacou a aprovação da privatização pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A controvérsia em torno dessa venda continua a gerar questionamentos sobre as práticas adotadas e possíveis repercussões.

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