Matérias
Saúde e Bem Estar

78% das crianças indígenas com desnutrição grave ganharam peso

Elas estão sendo acompanhadas pela Casa de Apoio à Saúde Indígena

Escrito por
February 18, 2023
Leia em
X
min
Compartilhe essa matéria

<p></p>

<p></p>

<p>Entre as crianças indígenas com desnutrição grave que foram atendidas sendo acompanhadas pela Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) de Boa Vista (RR), 78% já ganharam peso. O resultado foi divulgado nesta terça-feira, 14, conforme o Ministério da Saúde.</p>

<p>Ao todo, são 15 dos 19 curumins (como são chamadas as crianças da etnia pelas equipes de saúde). Todos têm entre seis meses e cinco anos de idade e estão evoluindo de quadros graves para moderados de desnutrição enquanto seguem sendo acompanhados pelas equipes de saúde.</p>

<p>Mesmo sendo apenas uma amostra da população total de crianças desnutridas, é sinal de que o empenho das equipes e as estratégias adotadas até aqui funcionam e podem ser replicadas. “A avaliação é positiva tendo em vista que esse número de crianças que foram acompanhadas conseguiu ganhar peso nesse pouco tempo utilizando os protocolos e diretrizes do Ministério da Saúde para tratamento com as fórmulas. O próximo passo é ampliar esse tratamento para que possamos fazer a recuperação na Casai e nos polos-base”, explica Mariana Madruga, integrante do grupo de trabalho de nutrição do COE-Yanomami.</p>

<p>Os protocolos mencionados por ela foram estabelecidos a partir do Manual de Atendimento da Criança com Desnutrição Grave em Nível Hospitalar, disponibilizado pelo Ministério da Saúde em 2005 e validado pelas equipes técnicas como um importante instrumento para lidar com a crise atual. Como o material dá apoio ao tratamento de pacientes internados em unidades hospitalares, foi preciso que os profissionais liderados pelo COE-Yanomami fizessem adaptações à realidade dos pacientes na Casai de Boa Vista.</p>

<p>Isso demandou que fossem utilizadas as experiências locais das pessoas que atuam no Distrito de Saúde Indígena Yanomami (DSEI-Y), dos servidores da Casai, das Secretarias de Saúde Indígena, Atenção Primária e Atenção Especializada do Ministério da Saúde, além do apoio e expertise dos profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e do programa Médicos Sem Fronteiras (MSF).</p>

<h2><strong>Escolha pela fórmula local e busca ativa</strong></h2>

<p>Duas decisões foram centrais para o sucesso dessa primeira batalha do COE-Yanomami frente à desnutrição infantil gravíssima: a escolha pela suplementação com a fórmula preconizada pelo Ministério da Saúde, implementação das diretrizes nacionais do SUS para manejo da desnutrição grave, bem como acompanhamento permanente dos pacientes curumins dentro das instalações da Casai.</p>

<p>“Felizmente a gente conta também com o apoio de antropólogos que auxiliaram nos procedimentos necessários para atender essas crianças dentro da Casai. A adesão ao tratamento é um desafio considerando que [o uso desse tipo de alimento] não é parte da cultura deles, isso é desafiador. Mas as equipes fizeram uma busca ativa dentro da Casai para que as fórmulas fossem administradas adequadamente dentro dos intervalos, algumas de três em três horas e outras de quatro em quatro horas. Tem sido um desafio, mas a gente já tem bons resultados no aumento de peso dessas crianças menores de cinco anos”, reforça Madruga.</p>

<p>Ela comemora que as crianças da Casai estão saindo do grau mais grave para os graus moderados e que podem ter continuidade no tratamento até o dia em que receberem alta e voltarem saudáveis para as comunidades de origem.</p>

<p>Os próximos passos são a ampliação progressiva do tratamento às crianças na Casai com quadros parecidos e algumas adaptações às que forem atendidas nos polos-base evitando remoções para quem puder ser atendido dentro da Terra Indígena Yanomami. Isso vai ocorrer de maneira gradual conforme sejam ampliados os quantitativos de profissionais, bem como sua qualificação e deve ser pactuado no âmbito do COE-Yanomami para as próximas semanas. Os quadros gravíssimos seguem sendo atendidos nos hospitais de referência da região.</p>

No items found.
Matérias relacionadas
Matérias relacionadas